Disciplina: Biologia, Apontamentos nas Disciplinas básicas (gerais) e essenciais
Apontamentos do Tema: SIDA Vírus da Imunodeficiência Humana
SIDA Vírus da Imunodeficiência Humana
O que é?
A SIDA é um quadro clínico resultante da infeção pelo VIH, do qual se conhecem dois tipos: o VIH 1 e o VIH 2.
Trata-se de uma doença que se transmite pelo sangue e pelo contacto sexual - pelo que qualquer pessoa pode ser infetada -, em que o VIH invade as células do sangue responsáveis pela defesa do organismo contra outras infeções e alguns tumores, comprometendo-a. Num doente com as defesas muito diminuídas, mesmo uma simples infeção pode tornar-se fatal.
Os primeiros casos de síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA) foram relatados na década de 80 e, atualmente, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, estima-se que existam cerca de 36,9 milhões de pessoas infetadas pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH).
Como Evitar o HIV?
O HIV pode ser transmito de diversas maneiras e para cada uma delas é preciso cuidados específicos para que não haja a transmissão. À seguir serão detalhadas as formas de como evitar o contagio em cada caso.
Prevenção no contato sexual
A camisinha ou preservativo continua sendo o método mais eficaz para prevenir muitas doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids, a sífilis, a gonorreia e alguns tipos de hepatites em qualquer tipo de relação sexual (anal, oral ou vaginal), seja homem com mulher, homem com homem ou mulher com mulher.
Embora o preservativo masculino seja o modelo mais conhecido e de uso mais disseminado, as mulheres também têm a opção de utilizar a camisinha feminina. Seja qual for o modelo, a camisinha deve ser usada do começo até o fim de qualquer relação sexual e nunca utilize o mesmo preservativo mais de uma vez
Prevenção na utilização de materiais perfuro-cortantes
Devido a possibilidade de se transmitir o HIV durante o compartilhamento de objetos perfuro-cortantes, que entrem em contato direto com o sangue, é indicado o uso de objetos descartáveis. Se os instrumentos não forem descartáveis, como lâmina de depilação, navalhas e alicates de unha, é recomendável que se faça uma esterilização simples (fervendo, passando álcool ou água sanitária).
É importante destacar que os objetos cortantes e perfurantes usados em consultórios de dentista, em estúdios de tatuagem e clínicas de acupuntura também correm o risco de estarem contaminados. Portanto, exija e certifique-se que os materiais estão esterilizados e, se são descartáveis, sejam substituídos.
Prevenção no uso de drogas injetáveis
O uso de drogas injetáveis e o compartilhamento de seringas é uma das principais formas de transmissão do HIV. Durante o contato do sangue soropositivo, a seringa é contaminada e a reutilização da seringa por terceiros é também uma forma de contagio do vírus, já que pequenas quantidades de sangue ficam na agulha ou seringa após o uso. Se outra pessoa usar essa agulha ou seringa, esse sangue será injetado na corrente sangüínea da pessoa.
Por isso, os usuários de drogas injetáveis também precisam tomar alguns cuidados: Ter matérias de uso próprio (seringa, agulha, etc) e não compartilhá-los com outros usuários; Não reutilizar as agulhas e seringas; Descartar os instrumentos em local seguro, dentro de uma caixa ou embalagem.
As campanhas para se evitar a contaminação do HIV entre os usuários de drogas injetáveis contam com distribuição de seringas e agulhas esterilizadas.
Prevenção em transfusão de sangue
O contagio de diversas doenças, principalmente do HIV, através da transfusão de sangue e da doação de órgãos tem contribuído para que as instituições de coleta selecionem criteriosamente seus doadores e adotem regras rígidas para testar, transportar, estocar e transfundir o material. Estes procedimentos estão garantindo cada vez mais um número menor de casos de transmissão de doenças através da transfusão de sangue e da doação de órgãos.
Atualmente, apenas pessoas saudáveis e que não façam parte dos grupos de risco para adquirir doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue, como Hepatites B e C, HIV, Sífilis e Chagas, podem fazer a doação de sangue.
Ainda assim é imprescindível que você, ou seus familiares, se certifiquem, antes de se submeter a transfusão de sangue, de que o sangue e o material hemoderivado foi devidamente testado.
Prevenção da transmissão vertical (gravidez, parto ou amamentação)
É importante que toda mulher grávida faça o teste que identifica a presença do HIV. Se o exame for positivo, a gestante vai receber um tratamento adequado para evitar a transmissão para o filho na hora do parto.
Sintomas
Os sintomas do HIV e da AIDS variam dependendo da pessoa e da fase da infecção.
Infecção primária, também chamada de HIV aguda
Algumas pessoas infectadas pelo HIV desenvolvem uma doença semelhante à gripe dentro de 2 a 4 semanas após a entrada do vírus no corpo. Essa fase pode durar de alguns dias a várias semanas. Algumas pessoas não apresentam sintomas durante essa fase.
Os possíveis sintomas incluem:
- Febre.
- Dor de cabeça.
- Dores musculares e nas articulações.
- Irritação na pele.
- Dor de garganta e feridas dolorosas na boca.
- Gânglios linfáticos inchados, também chamados de nódulos, principalmente no pescoço.
- Diarréia.
- Perda de peso.
- Tosse.
- Suores noturnos.
Esses sintomas podem ser tão leves que você pode nem notá-los. No entanto, a quantidade de vírus na sua corrente sanguínea, chamada carga viral, está alta nesse momento. Como resultado, a infecção se espalha para outras pessoas com mais facilidade durante a infecção primária do que na fase seguinte.
Infecção latente clínica, também chamada de HIV crônica
Nesta fase da infecção, o HIV ainda está no corpo e nas células do sistema imunológico, chamadas glóbulos brancos. Mas, durante esse período, muitas pessoas não apresentam sintomas nem as infecções que o HIV pode causar.
Essa fase pode durar muitos anos para pessoas que não estão recebendo terapia antirretroviral, também chamada de TARV. Algumas pessoas desenvolvem a doença mais grave muito mais cedo.
Infecção sintomática pelo HIV
À medida que o vírus continua a se multiplicar e destruir as células imunológicas, você pode ter infecções leves ou sintomas de longo prazo, como:
- Febre.
- Fadiga.
- Gânglios linfáticos inchados, que geralmente são um dos primeiros sintomas da infecção pelo HIV .
- Diarréia.
- Perda de peso.
- Infecção oral por fungos, também chamada de candidíase.
- Herpes zoster, também chamado de herpes zoster.
- Pneumonia.
Progressão para AIDS
Tratamentos antivirais mais eficazes reduziram significativamente as mortes por AIDS em todo o mundo. Graças a esses tratamentos que salvam vidas, a maioria das pessoas com HIV nos EUA hoje não contrai AIDS . Sem tratamento, o HIV geralmente se transforma em AIDS em cerca de 8 a 10 anos.
Ter AIDS significa que seu sistema imunológico está muito danificado. Pessoas com AIDS têm maior probabilidade de desenvolver doenças que não desenvolveriam se tivessem um sistema imunológico saudável. Essas doenças são chamadas de infecções oportunistas ou cânceres oportunistas. Algumas pessoas contraem infecções oportunistas durante a fase aguda da doença.
Os sintomas de algumas dessas infecções podem incluir:
- Suores.
- Calafrios.
- Febre que continua voltando.
- Diarreia contínua.
- Gânglios linfáticos inchados.
- Manchas brancas ou lesões constantes na língua ou na boca.
- Fadiga constante.
- Fraqueza.
- Perda de peso rápida.
- Erupções cutâneas ou inchaços.
Quando consultar um médico
Se você acha que pode ter sido infectado pelo HIV ou corre risco de contrair o vírus, consulte um profissional de saúde o mais rápido possível.
A gestante soropositiva recebe ao longo da gravidez e no momento do parto medicamentos indicados pelo médico. Até as seis primeiras semanas de vida, o recém nascido também deverá fazer uso das drogas.
Como a transmissão do HIV de mãe para filho também pode acontecer durante a amamentação, através do leite materno, será necessário substituir o leito materno por leite artificial ou humano processado em bancos de leite que fazem aconselhamento e triagem das doadoras.


Relativamente ao panorama nacional “até final de 2017 foram diagnosticados, cumulativamente, em Portugal, 57.913 casos de infeção por VIH, dos quais 22.102 atingiram estádio de SIDA”- Relatório Infeção VIH e SIDA da Unidade de Referência e Vigilância Epidemiológica do Departamento de Doenças Infeciosas do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, em colaboração com o Programa Nacional da Infeção VIH e SIDA da Direção-Geral da Saúde.
Sintomas
A infeção pelo VIH no início é pouco percetível porque os sintomas são ligeiros e confundíveis com um quadro gripal ou de virose comum. Em cerca de 30% dos casos, ocorre, nos 10 a 15 dias após a infeção, um período febril, curto, sem características especiais, como se fosse uma gripe.
Após a infeção, a SIDA tem um longo período de evolução silenciosa sem provocar a mais pequena perturbação ou queixa. É o período durante o qual o vírus se instala, começa a invadir e destruir os linfócitos (células responsáveis pelas nossas defesas) e a multiplicar-se. Durante essa fase, o organismo compensa essa perda de células aumentando a sua produção e tentando eliminar o vírus. A sua duração é muito variável (em média de 8 a 10 anos) e depende da intensidade e gravidade da infeção, da capacidade de defesa do organismo e da ocorrência de outras doenças que reduzam a capacidade de defesa. Durante este período, o paciente é referido como sendo portador do vírus ou seropositivo, uma vez que as análises realizadas nesta fase conseguem identificar sua a presença.
Mesmo sem sinais de doença, um portador do VIH pode infetar qualquer pessoa com quem tenha contacto sexual.
No final desta longa fase silenciosa, as defesas do organismo entram em colapso e surgem todas as complicações que definem a SIDA:
- Infeções por microrganismos comuns que aqui adquirem maior gravidade
- Infeções por agentes mais raros
- Alguns tipos de cancro que, em condições normais, não se conseguiriam desenvolver
Causas
Para que o VIH se possa desenvolver e proliferar e, assim, causar doença, tem de ter acesso à corrente sanguínea, uma vez que no exterior, fora das células, ele é rapidamente destruído.
As principais formas de transmissão deste vírus são as seguintes:
- Produtos e derivados do sangue. Esta via é, actualmente, muito rara porque todos os dadores de sangue fazem testes laboratoriais para este vírus.
- Utilização de agulhas contaminadas. Este cenário é impossível em estabelecimentos de saúde, onde todas as agulhas são descartáveis, mas pode ocorrer no contexto da toxicodependência através da partilha de seringas e agulhas. Graças a diversas medidas de informação, esta via de transmissão tem vindo a ser substancialmente reduzida.
- Contacto sexual. Qualquer relação sexual não protegida, heterossexual (a forma de transmissão mais frequente em Portugal, que corresponde a cerca de 60% do casos) ou homossexual, pode ser uma forma de transmissão deste vírus.
- Gravidez. É possível a transmissão do vírus numa mulher grávida infetada aos seus filhos. Um tratamento apropriado durante a gravidez reduz de forma muito significativa esse risco. A contaminação no momento do parto ou durante a amamentação é muito menos provável.
Diagnóstico
O diagnóstico é simples e baseia-se na análise da saliva ou sangue onde se podem encontrar anticorpos conta o VIH.
De um modo geral, nas primeiras semanas após a infeção esses testes são ainda negativos. Contudo, têm sido desenvolvidos novos testes que permitem um diagnóstico mais rápido, logo nos primeiros dias após a infeção, o que é importante, pois a eficácia do tratamento será tanto maior quanto mais precocemente a infeção for detetada.
Além de permitirem confirmar a presença de infeção, os testes laboratoriais são importantes na definição da evolução da SIDA e na seleção dos melhores medicamentos para a tratar.
Tratamento
Não existe ainda uma cura para a SIDA. Trata-se de um vírus com uma enorme capacidade de multiplicação e que sofre inúmeras mutações que dificultam o tratamento porque, com frequência, tornam o vírus resistente aos medicamentos em curso.
O número de medicamentos disponíveis para controlar esta infeção é atualmente muito significativo e, na maioria dos casos, é possível manter uma boa qualidade de vida durante muito tempo.
A eficácia do tratamento depende da precocidade do diagnóstico e de um controlo médico regular que permita avaliar, a cada momento, a manutenção da resposta aos medicamentos selecionados.
Prevenção
Não existe ainda nenhuma vacina eficaz contra este vírus.
Na prevenção não devem ser considerados grupos de risco, mas sim comportamentos de risco e, por isso, uma correta informação e o uso do bom senso permitem, em muitos casos, manter este vírus à distância.
A prevenção inclui a adoção de medidas como:
- Uso de preservativo
- Evitar o contacto direto com sangue ou produtos seus derivados
- Fazer o teste do VIH
Compilado por Formador: Jose Bernardo Muchanga
Comentários:
Compilado por Formador: Jose Bernardo Muchanga
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em lactentes e crianças
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em lactentes e crianças
A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) é causada pelo retrovírus HIV-1 (e, menos frequentemente, pelo retrovírus HIV-2). A infecção leva a deterioração imunológica progressiva, infecções por germes oportunistas e câncer. A fase final corresponde à síndrome da imunodeficiência adquirida (aids). O diagnóstico é feito pela presença de anticorpos virais em crianças com > 18 meses e por testes de amplificação de ácido nucleico (como PCR [polymerase chainreaction]) em crianças com < 18 meses. O tratamento é com combinações de antirretrovirais.
- Epidemiologia|
- Transmissão do HIV|
- Classificação|
- Sinais e sintomas|
- Diagnóstico|
- Tratamento|
- Transição para o tratamento de adultos|
- Prognóstico|
- Prevenção|
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(Ver também Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana HIV] em adultos.)
A história natural geral e a fisiopatologia da infecção pediátrica pelo HIV é semelhante àquele em adultos; mas o método de infecção, apresentação clínica e o tratamento são frequentemente diferentes.
A criança infectada pelo HIV também podem ter problemas de integração social.
Referências gerais
-
ClinicalInfo.HIV.gov/Panel on Antiretroviral Therapy and Medical Management of Children Living with HIV: Guidelines for the Use of Antiretroviral Agents in Pediatric HIV Infection
-
Weinberg GA, Siberry GK: Pediatric human immunodeficiency virus infection. In Mandell, Douglas, and Bennett’s Principles and Practice of Infectious Diseases, 9th ed., edited by JE Bennett, R Dolin, and MJ Blaser. Philadelphia, Elsevier, 2020, pp. 1732–1738.
Epidemiologia da infecção pelo HIV em lactentes e crianças
Nos Estados Unidos, desde que a infecção pelo HIV foi reconhecida pela primeira vez, mais de 10.000 casos foram notificados em crianças e adolescentes jovens, mas esse número representa apenas 1% do total de casos. Em 2019, < 60 novos casos foram diagnosticados em crianças < 13 anos (1).
Mais de 95% das crianças norte-americanas com infecção pelo HIV adquiriram a infecção da mãe, por transmissão pré-natal ou perinatal [também chamada transmissão vertical ou transmissão de mãe para filho (TMF)]. A maioria dos outros casos (incluindo pacientes com hemofilia ou outras coagulopatias) se deu por infusão de sangue ou hemoderivados contaminados. Alguns casos foram resultado de abuso sexual.
A TMF diminuiu significativamente nos Estados Unidos de aproximadamente 25% em 1991 (resultando em > 1.600 crianças infectadas anualmente) para ≤ 1% em 2019 (resultando em aproximadamente 50 crianças infectadas anualmente). A transmissão vertical foi reduzida utilizando triagem sorológica abrangente e tratamento das gestantes infectadas durante a gestação e o parto e fornecendo profilaxia antirretroviral de curta duração para o recém-nascidos expostos. Aproximadamente 3.000 a 5.000 gestantes com infecção pelo HIV dão à luz anualmente nos Estados Unidos, de modo que a atenção à prevenção da TMF permanece essencial na prevenção da infecção pelo HIV em lactentes e crianças.
Embora o número de crianças infectadas anualmente tenha diminuído, o número total de adolescentes e adultos jovens nos Estados Unidos (13 a 24 anos de idade) com infecção pelo HIV continua a aumentar, apesar do sucesso acentuado na diminuição da infecção perinatal pelo HIV. Em 2019, diagnosticaram-se cerca de 36.000 novos casos de infecção pelo HIV nos Estados Unidos; 20% destes ocorreram entre adolescentes e adultos jovens com 13 a 24 anos de idade (a maioria tinha 18 anos ou mais) (1). Esse aumento paradoxal no número de crianças e adolescentes com infecção pelo HIV é resultado de maiores taxas de sobrevida entre crianças infectadas no perinatal e novos casos de infecção pelo HIV adquiridos por transmissão sexual entre outros adolescentes e adultos jovens (em particular, entre homens jovens que fazem sexo com homens). A redução da transmissão do HIV entre homens jovens que fazem sexo com homens continua sendo um foco importante dos esforços norte-americanos do controle do HIV assim como é a continuidade da redução da transmissão vertical.
Em todo o mundo, em 2021, cerca de 1,7 milhão de crianças < 14 anos tinham infecção pelo HIV (4% do total de casos em todo o mundo) (2). A cada ano, cerca de 160.000 novas crianças são infectadas (10% de todas as novas infecções), e cerca de 100.000 crianças morrem.
Embora esses números representem uma quantidade assustadora de casos da doença, novos programas criados para fornecer terapia antirretroviral (TARV) para gestantes e crianças reduziram o número anual de novas infecções na infância e mortes em crianças em 33-50% nos últimos anos (1). Mas as crianças infectadas ainda não recebem TARV tão frequentemente quanto os adultos, e interromper a transmissão vertical e fornecer tratamento para crianças infectadas pelo HIV continuam sendo os dois objetivos mais importantes da medicina pediátrica global contra o HIV.
Referências sobre epidemiologia
-
1. Centers for Disease Control and Prevention: HIV Surveillance Report, 2020. Vol. 33. Published May 2022. Acessado em 29/11/2022.
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2. UNAIDS: Global HIV & AIDS statistics—Fact sheet. Acessado em 19/12/2022.
Transmissão da infecção pelo HIV em lactentes e crianças
O risco de infecção para um neonatos nascido de uma mãe com infecção pelo HIV que não recebeu TARV durante a gestação é estimado em 25%.
Os fatores de risco para trombose venosa profunda incluem
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Soroconversão durante a gestação ou amamentação (principal risco)
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Concentração plasmática alta de RNA viral (principal risco)
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Doença materna avançada
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Baixa contagem materna de células T CD4+ periféricas
Ruptura prolongada das membranas não é mais considerada um fator de risco importante.
O parto cesárea antes do início do trabalho de parto ativo reduz esse risco de transmissão da mãe para o filho (TMF). Entretanto, está claro que a TMF pode ser reduzida significantemente com a terapia antirretroviral de combinação, geralmente incluindo zidovudina (ZDV) para mãe e recém-nascido (ver Prevenção da infecção pelo HIV em lactentes e crianças). A monoterapia com ZDV reduz a TMF de 25% para aproximadamente 8%; e a atual TARV de combinação a reduz para ≤ 1%.
No leite materno humano, detectou-se a presença do HIV tanto nas células como nas frações livres de células. Estimativas do risco global de transmissão pela amamentação são de 12 a 14%, refletindo a variação do tempo de amamentação. Essa transmissão parece ser maior em mães com altas concentrações plasmáticas de RNA viral (p. ex., mulheres que se infectaram durante a gestação ou durante o período de amamentação).
No início da pandemia de HIV, o vírus era transmitido a crianças pequenas por meio de hemoderivados contaminados (p. ex., sangue total ou componentes celulares ou plasmáticos, como concentrados de hemácias, imunoglobulina intravenosa); no entanto, a transmissão por essa via não ocorre mais quando os produtos sanguíneos são triados a procura de HIV (e, no caso da imunoglobulina, também preparados com etapas de inativação viral).
A transmissão do HIV via atividade sexual em adolescentes é semelhante à de adultos (ver Transmissão da infecção pelo HIV em adultos).
Classificação da infecção pelo HIV em lactentes e crianças
A infecção pelo HIV provoca um espectro amplo de doenças, das quais a aids é a mais grave. Esquemas anteriores de classificação epidemiológica estabelecidos pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) definiam a progressão do declínio clínico e imunológico. Essas categorias clínicas e imunológicas se tornaram muito menos relevantes na era da TARV combinada, porque quando a TARV é seguida como prescrita, quase invariavelmente diminui os sintomas e aumenta a contagem de células T CD4+. No entanto, o estadiamento imunológico baseado na contagem de células T- CD4+ permanece valioso para o planejamento da profilaxia contra patógenos oportunistas.
As categorias clínicas em crianças < 13 anos estão disponíveis na tabela Appendix C: CDC Pediatric HIV CD4 Cell Count/Percentage and HIV-Related Diseases Categorization do site ClinicalInfo.HIV.gov e são mostradas na tabela Categorias imunes (estágios da infecção pelo HIV) para crianças < 13 anos com infecção pelo HIV baseadas na porcentagem ou contagem de células T CD4+ específica à idade. Em lactentes e crianças, a infecção e a doença pelo HIV podem progredir mais rapidamente do que em adolescentes e adultos.
Sinais e sintomas da infecção pelo HIV em lactentes e crianças
Crianças que recebem terapia antirretroviral combinada (ART)
A TARV de combinação alterou significativamente as manifestações clínicas da infecção HIV na Pediatria. Embora a pneumonia bacteriana e outras infecções bacterianas (p. ex., bacteremia, otite média recorrente) ainda ocorram com maior frequência em crianças infectadas pelo HIV as infecções oportunistas e o deficit de crescimento são muito menos frequentes do que na era pré-TARV. Novos problemas são relatados, como dislipidemias, hiperglicemia, má distribuição gordurosa (lipodistrofia, lipoatrofia), nefropatia e osteonecrose; entretanto, a incidência é menor em crianças do que em adultos infectados pelo HIV.
Embora a TARV de combinação melhore claramente o achado de neurodesenvolvimento, parece haver aumento dos problemas de comportamento e cognitivos nas crianças infectadas pelo HIV tratadas. Não está claro se esses problemas são causados pela própria infecção pelo HIV, medicamentos ou outros fatores biopsicossociais que ocorrem em crianças com infecção pelo HIV. Não se sabe se quaisquer efeitos adicionais da infecção pelo HIV ou TARV durante períodos críticos do crescimento e desenvolvimento se manifestarão mais tarde na vida. Entretanto, nenhum desses efeitos foi observado em crianças infectadas no período perinatal que foram tratadas com TARV e agora são adultos jovens. Para detectar esses efeitos adversos, os profissionais de saúde terão de monitorar as crianças infectadas pelo HIV ao longo do tempo.
História natural em crianças não tratadas
Lactentes infectados no período perinatal geralmente são assintomáticos durante os primeiros meses de vida, mesmo se nenhuma TARV de combinação for iniciada. Embora a média de idade para o início dos sintomas seja por volta dos 3 anos, algumas crianças permanecem assintomáticas por > 5 anos e, com TARV apropriada, a expectativa é que sobrevivam até a fase adulta.
Na era pré-TARV, cerca de 10 a 15% das crianças apresentavam progressão rápida da doença, com ocorrência dos sintomas no primeiro ano de vida e morte entre 18 e 36 meses, admitindo-se que elas tenham adquirido a doença em vida intrauterina. No entanto, a maioria das crianças adquire a infecção provavelmente perto do nascimento e tem menor progressão da doença (sobrevivendo além dos 5 anos, mesmo antes da TARV ter sido rotineiramente utilizada).
Em recém-nascidos em que não estão recebendo TARV, as manifestações da doença incluem incapacidade de ganhar peso, problemas neurológicos (p. ex., perda ou atraso em habilidades motoras, irritabilidade, déficit no perímetro cefálico), e pneumonia por Pneumocystis.
Crianças de mais idade que não estão em TARV frequentemente têm otite média recorrente, sinusite, pneumonia bacteriana, bacteremia, herpes-zóster e pneumonite intersticial linfoide. Crianças maiores e adolescentes cuja doença se manifesta tardiamente na infância (chamados progressores lentos ou não progressores) podem apresentar linfadenopatia generalizada persistente, candidíase esofágica, e linfoma no encéfalo ou em outros locais, que é semelhante às manifestações em adultos que não estão em TARV.
Todas essas manifestações, incluindo infecções oportunistas, ocorrem apenas raramente em pessoas sob TARV.
Complicações do HIV em crianças
Quando ocorrem complicações, elas normalmente envolvem infecções oportunistas (e raramente câncer). A TARV combinada tornou essas infecções incomuns, e agora elas ocorrem principalmente em crianças não diagnosticadas que ainda não receberam TARV ou em crianças que não aderem à TARV.
Quando ocorrem infecções oportunistas, a pneumonia por Pneumocystis jirovecii é a causa mais comum e grave e tem alta taxa de mortalidade. A pneumonia pelo Pneumocystis pode ocorrer em idades precoces como 4 a 6 semanas, embora seja mais frequente entre as idades de 3 a 6 meses em lactentes que adquiriram a infecção antes do nascimento ou na ocasião deste. Lactentes e crianças maiores com pneumonia por Pneumocystis desenvolvem caracteristicamente pneumonite subaguda, difusa, com taquipneia e dispneia em repouso, dessaturação do oxigênio, tosse não produtiva e febre (em contraste com aqueles adultos e crianças imunocomprometidos com infecção não HIV nos quais o início é mais agudo e fulminante).
Outras infecções oportunistas em crianças imunocomprometidas incluem esofagite por Candida, infecção por citomegalovírus disseminada, infecção pelo vírus do herpes simples disseminada ou crônica, infecção pelo vírus varicela-zoster e, menos frequentemente, infecções complexas por Mycobacterium tuberculosis e M. avium, enterite crônica causada por Cryptosporidium ou outros organismos e criptococos disseminados ou do sistema nervoso central ou infecção pelo Toxoplasma gondii.
Doenças malignas em crianças imunologicamente comprometidas com infecção pelo HIV são relativamente raras, porém leiomiossarcomas e certos linfomas, incluindo os do sistema nervoso central e os não Hodgkin de células B (tipo Burkitt), ocorrem muito mais frequentemente do que em crianças imunocompetentes. O sarcoma de Kaposi é muito raro em crianças infectadas pelo HIV. (Ver Cânceres comuns em pacientes com infecção pelo HIV.)
Diagnóstico da infecção pelo HIV em lactentes e crianças
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Testes sorológicos de anticorpos
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Testes virológicos de ácido nucleico (inclui ensaios de RNA/DNA do HIV ou RNA do HIV)
Exames específicos para HIV
Crianças < 18 meses retém os anticorpos maternos, o que leva a resultados falso-positivos, mesmo com o imunoensaio de 4ª geração para antígeno/anticorpo do HIV-1/2. Portanto, nessas crianças, o diagnóstico deve ser feito por testes virológicos para HIV — conhecidos coletivamente como testes de ácido nucleico (NAT) — como os testes qualitativos de RNA ou RNA/DNA. Pode-se utilizar os mais recentes testes de RNA ou RNA/DNA em tempo real para diagnosticar cerca de 30 a 50% dos casos ao nascimento e quase 100% dos casos até os 4 a 6 meses de idade, incluindo crianças com cepas não pertencentes ao subtipo B e o grupo O do HIV, que é o mais comumente encontrado fora dos Estados Unidos. A cultura do vírus HIV tem sensibilidade e especificidade aceitáveis, mas foi substituída por NATs porque é tecnicamente mais exigente e perigosa. (Ver também ClinicalInfo.HIV.gov's Diagnosis of HIV Infection in Infants and Children.)
Em crianças com > 18 meses de idade, o diagnóstico da infecção pelo HIV é feito utilizando uma série de exames: imunoensaio de 4ª geração para antígeno/anticorpo do HIV-1/2, seguido de ensaio de 2ª geração de diferenciação de anticorpos para HIV-1/2 e, se necessário, ensaio qualitativo de RNA do HIV-1. O algoritmo desse teste de diagnóstico suplantou o teste sequencial anterior por imunoensaio do soro e confirmação de Western blot. Apenas muito raramente, em crianças maiores infectadas pelo HIV o anticorpo HIV está ausente devido à presença de hipogamaglobulinemia significativa.
O teste quantitativo de RNA do HIV é mais comumente utilizado para determinar a carga viral plasmática de HIV a fim de monitorar a eficácia do tratamento. Também pode ser utilizada para testes diagnósticos em lactentes; entretanto, deve-se tomar cuidado porque a especificidade é incerta em baixas concentrações de RNA (< 5.000 cópias/mL) e a sensibilidade é desconhecida em lactentes cujas mães estão em completa supressão viral sob tratamento, por ocasião do parto.
Podem-se fazer testes rápidos à beira do leito utilizando testes rápidos de imunoensaio para anticorpos anti-HIV porque esses testes podem fornecer resultados em minutos a horas analisando secreções orais, sangue total ou soro. Nos Estados Unidos, esses testes são mais utilizados durante o período de trabalho de parto para testar mulheres cujas condições sorológicas para o HIV são desconhecidas, permitindo assim aconselhamento, instituição da TARV para prevenir a TMF e testes para lactentes por NATs virológicos a serem programados na visita pós-parto. Esses testes fornecem vantagens semelhantes em outros ambientes de cuidados episódicos (p. ex., departamentos de emergência, clínicas de medicina para adolescentes, clínicas de infecção sexualmente transmissíveis) e em áreas medicamente carentes do mundo.
Mas ensaios rápidos normalmente requerem testes de confirmação, como um segundo ensaio de antígenos/anticorpos, ensaio de diferenciação de anticorpos para HIV-1/2 ou um NAT. Esses testes confirmatórios são especialmente importantes porque, em áreas onde a prevalência esperada do HIV é baixa, mesmo um ensaio específico rápido fornece resultados falso-positivos na maioria das vezes (baixo valor preditivo positivo pelo teorema de Bayes). Quanto maior a probabilidade pré-teste do HIV (isto é, soroprevalência), maior o valor preditivo positivo do teste.
À medida que mais laboratórios são capazes de realizar testes com resultado no mesmo dia utilizando imunoensaios de 4ª geração para antígeno/anticorpo do HIV-1/2, haverá menos necessidade de imunoensaios rápidos comparativamente menos sensíveis e menos específicos. Mais uma vez, nem imunoensaios rápidos nem ensaios de antígeno/anticorpo HIV1/2 de 4ª geração são sensíveis o suficiente para o diagnóstico de HIV em crianças < 18 meses de idade.
O aconselhamento pré-teste de HIV em uma criança discute os possíveis riscos e benefícios psicossociais dos testes com a mãe ou o cuidador principal (e a criança, se ela tiver idade suficiente). A maioria das jurisdições norte-americanas (e recomendações do CDC) agora utiliza uma conversa informal envolvendo a opção de desistência, em vez de exigir o consentimento formal oral (ou por escrito). Os profissionais de saúde devem agir de acordo com as leis e regulamentos de seu estado, local e hospital. A necessidade de orientação e consentimento não deve impedir o teste se houver indicação para a medicação; a recusa do consentimento por parte do paciente ou do responsável não libera o médico de suas responsabilidades profissional e legal, e algumas vezes a autorização para a realização dos testes precisa ser obtida de outra forma (p. ex., por ordem judicial).
Os resultados dos testes devem ser discutidos pessoalmente com a família, com o responsável e, se tiver idade suficiente, com a criança. Se a criança for HIV-positiva, deverão ser providenciados orientação apropriada e seguimento subsequente. Em todos os casos, é essencial que se mantenha uma conduta confidencial.
Crianças e adolescentes com infecção pelo HIV ou aids devem ser notificados ao departamento de saúde pública apropriado de acordo com as leis estaduais, locais e hospitalares.
[Para perguntas sobre o diagnóstico neonatal, nos Estados Unidos, os médicos podem ligar para a Perinatal HIV Consultation and Referral Services Hotline: 1-888-HIV-8765 (1-888-448-8765).]
Compilado por Formador: Jose Bernardo Muchanga
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